A Santa Igreja, peregrina na história e guiada pelo Espírito Santo, manifesta ao longo dos séculos a riqueza de diversos carismas suscitados por Deus para a edificação do Corpo Místico de Cristo. Como ensina o Apóstolo: “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo” (1Cor 12,4). Assim, na comunhão eclesial, numerosos institutos de vida consagrada nasceram e floresceram ao longo do tempo, contribuindo para a evangelização, para a santificação do povo de Deus e para o testemunho do Evangelho nas mais variadas realidades do mundo.
A vida consagrada constitui um dom precioso que a Igreja recebe de seu Senhor, pelo qual alguns fiéis são chamados a seguir mais de perto a Cristo mediante a profissão dos conselhos evangélicos de castidade, pobreza e obediência. Como recorda o Catecismo da Igreja Católica: “A vida religiosa é um dom que a Igreja recebe do seu Senhor e que oferece como um estado de vida permanente ao fiel chamado por Deus para professar os conselhos” (CIC 926). Dessa forma, aqueles que abraçam tal vocação tornam-se sinais visíveis do Reino de Deus e testemunhas da caridade divina no mundo.
Cabe igualmente à autoridade da Igreja discernir, acompanhar e regular a vida dos institutos religiosos para que permaneçam sempre em plena comunhão com a missão e a disciplina eclesial. O Código de Direito Canônico estabelece que compete à autoridade suprema da Igreja suprimir institutos de vida consagrada quando razões graves o exigirem, tendo sempre em vista o bem da Igreja e a correta ordenação da vida eclesial (cf. Cân. 584).
À luz da oração, do discernimento pastoral e da responsabilidade confiada à Sé Apostólica, recordamos também a sabedoria das Escrituras: “Para tudo há um tempo determinado, e há um tempo para cada propósito debaixo do céu” (Ecl 3,1). Assim, certos carismas, depois de produzirem abundantes frutos espirituais e apostólicos ao longo da história, podem chegar ao término de sua missão própria dentro do tempo providencial da Igreja.
Por isso, após diligente discernimento e consulta às autoridades eclesiásticas competentes, este Dicastério, no exercício da autoridade que lhe foi confiada pela Sé Apostólica, declara:
CONSIDERANDO o bem espiritual da Igreja universal e a necessidade de preservar a reta ordem da vida consagrada;
CONSIDERANDO as disposições do Código de Direito Canônico, particularmente o Cânon 584, que atribui à autoridade competente da Igreja a faculdade de suprimir institutos de vida consagrada;
CONSIDERANDO o atual discernimento pastoral realizado à luz da ação do Espírito Santo e em vista da missão evangelizadora da Igreja;
DECRETAMOS:
Art. 1º Fica decretada a supressão da Ordem da Companhia de Jesus (jesuítas), cessando sua existência jurídica enquanto instituto religioso na Igreja. A partir da promulgação deste decreto, todas as estruturas de governo, administração e organização próprias da referida ordem deixam de ter validade canônica, cabendo à autoridade eclesiástica competente determinar os procedimentos necessários para a adequada regularização de seus bens, arquivos e demais responsabilidades institucionais.
Art. 2º Fica igualmente decretada a supressão da Ordem das Mercês (mercedários), cessando também sua existência jurídica como instituto religioso na Igreja. As casas, obras apostólicas e demais atividades anteriormente vinculadas a esta ordem deverão ser submetidas à avaliação e determinação das autoridades eclesiásticas competentes, para que sejam integradas, quando oportuno, à pastoral ordinária das Igrejas particulares.
Art. 3º Todos os padres, diáconos, seminaristas, religiosos e religiosas que anteriormente pertenciam a estas ordens ficam, por força deste decreto, à disposição de suas respectivas dioceses, devendo exercer sua vocação e ministério em comunhão com a Igreja local. A partir desta data, estarão submetidos à autoridade ordinária do Bispo diocesano, observando fielmente as normas do Direito Canônico e a disciplina própria das Igrejas particulares.
Parágrafo único Os clérigos deverão regularizar sua situação canônica junto às respectivas dioceses, podendo ser incardinados conforme as normas da Igreja. Os religiosos e religiosas não ordenados receberão orientação pastoral e acompanhamento por parte das autoridades diocesanas, a fim de discernir a continuidade de sua vocação e serviço na vida da Igreja.
Art. 4º Os bens temporais, patrimônios, casas religiosas, arquivos e demais responsabilidades jurídicas pertencentes às referidas ordens serão administrados e destinados conforme determinação da autoridade eclesiástica competente, em conformidade com as normas do Direito Canônico e sempre em vista do bem da Igreja e da continuidade das obras pastorais.
Art. 5º Este decreto entra em vigor no ato de sua publicação, permanecendo válido até que este Dicastério determine o contrário.
Confiamos todos aqueles que viveram sua vocação nestas instituições à misericórdia de Deus e à intercessão da Santíssima Virgem Maria. Que o Senhor, Bom Pastor, continue guiando o seu povo, conforme nos diz o Evangelho: “Haverá um só rebanho e um só pastor” (Jo 10,16).
† José Eliel Gomes
Praefectus
† Victor Kernicki Scognamiglio
Pró-Praefectus
ES
La Santa Iglesia, peregrina en la historia y guiada por el Espíritu Santo, manifiesta a lo largo de los siglos la riqueza de diversos carismas suscitados por Dios para la edificación del Cuerpo Místico de Cristo. Como enseña el Apóstol: “Hay diversidad de dones, pero el Espíritu es el mismo” (1 Cor 12,4). Así, en la comunión eclesial, numerosos institutos de vida consagrada han nacido y florecido con el paso del tiempo, contribuyendo a la evangelización, a la santificación del pueblo de Dios y al testimonio del Evangelio en las más variadas realidades del mundo.
La vida consagrada constituye un don precioso que la Iglesia recibe de su Señor, por el cual algunos fieles son llamados a seguir más de cerca a Cristo mediante la profesión de los consejos evangélicos de castidad, pobreza y obediencia. Como recuerda el Catecismo de la Iglesia Católica: “La vida religiosa es un don que la Iglesia recibe de su Señor y que ofrece como un estado de vida permanente al fiel llamado por Dios a profesar los consejos evangélicos” (CIC 926). De este modo, quienes abrazan tal vocación se convierten en signos visibles del Reino de Dios y testigos de la caridad divina en el mundo.
Corresponde igualmente a la autoridad de la Iglesia discernir, acompañar y regular la vida de los institutos religiosos para que permanezcan siempre en plena comunión con la misión y la disciplina eclesial. El Código de Derecho Canónico establece que compete a la autoridad suprema de la Iglesia suprimir institutos de vida consagrada cuando razones graves así lo exijan, teniendo siempre en vista el bien de la Iglesia y la recta ordenación de la vida eclesial (cf. can. 584).
A la luz de la oración, del discernimiento pastoral y de la responsabilidad confiada a la Sede Apostólica, recordamos también la sabiduría de la Sagrada Escritura: “Todo tiene su tiempo, y hay un momento para cada cosa bajo el cielo” (Ecl 3,1). Así, ciertos carismas, después de haber producido abundantes frutos espirituales y apostólicos a lo largo de la historia, pueden llegar al término de su misión propia dentro del tiempo providencial de la Iglesia.
Por tanto, después de un diligente discernimiento y consulta a las autoridades eclesiásticas competentes, este Dicasterio, en ejercicio de la autoridad que le ha sido confiada por la Sede Apostólica, declara:
CONSIDERANDO el bien espiritual de la Iglesia universal y la necesidad de preservar el recto orden de la vida consagrada;
CONSIDERANDO las disposiciones del Código de Derecho Canónico, particularmente el canon 584, que atribuye a la autoridad competente de la Iglesia la facultad de suprimir institutos de vida consagrada;
CONSIDERANDO el actual discernimiento pastoral realizado a la luz de la acción del Espíritu Santo y en vista de la misión evangelizadora de la Iglesia;
DECRETAMOS:
Art. 1º Queda decretada la supresión de la Orden de la Compañía de Jesús (jesuitas), cesando su existencia jurídica en cuanto instituto religioso en la Iglesia. A partir de la promulgación del presente decreto, todas las estructuras de gobierno, administración y organización propias de dicha orden dejan de tener validez canónica, correspondiendo a la autoridad eclesiástica competente determinar los procedimientos necesarios para la adecuada regularización de sus bienes, archivos y demás responsabilidades institucionales.
Art. 2º Queda igualmente decretada la supresión de la Orden de las Mercedes (mercedarios), cesando también su existencia jurídica como instituto religioso en la Iglesia. Las casas, obras apostólicas y demás actividades anteriormente vinculadas a esta orden deberán ser sometidas a la evaluación y determinación de las autoridades eclesiásticas competentes, para que puedan ser integradas, cuando sea oportuno, a la pastoral ordinaria de las Iglesias particulares.
Art. 3º Todos los sacerdotes, diáconos, seminaristas, religiosos y religiosas que anteriormente pertenecían a estas órdenes quedan, por fuerza de este decreto, a disposición de sus respectivas diócesis, debiendo ejercer su vocación y ministerio en comunión con la Iglesia local. Desde esta fecha estarán sometidos a la autoridad ordinaria del Obispo diocesano, observando fielmente las normas del Derecho Canónico y la disciplina propia de las Iglesias particulares.
Parágrafo único Los clérigos deberán regularizar su situación canónica ante sus respectivas diócesis, pudiendo ser incardinados conforme a las normas de la Iglesia. Los religiosos y religiosas no ordenados recibirán orientación pastoral y acompañamiento por parte de las autoridades diocesanas, a fin de discernir la continuidad de su vocación y servicio en la vida de la Iglesia.
Art. 4º Los bienes temporales, patrimonios, casas religiosas, archivos y demás responsabilidades jurídicas pertenecientes a las referidas órdenes serán administrados y destinados conforme a la determinación de la autoridad eclesiástica competente, en conformidad con las normas del Derecho Canónico y siempre en vista del bien de la Iglesia y de la continuidad de las obras pastorales.
Art. 5º Este decreto entra en vigor en el momento de su publicación, permaneciendo válido hasta que este Dicasterio determine lo contrario.
Confiamos a todos aquellos que vivieron su vocación en estas instituciones a la misericordia de Dios y a la intercesión de la Santísima Virgen María. Que el Señor, Buen Pastor, continúe guiando a su pueblo, como nos dice el Evangelio: “Habrá un solo rebaño y un solo pastor” (Jn 10,16).
† José Eliel Gomes
Praefectus
† Victor Kernicki Scognamiglio
Pró-Praefectus
