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SÍNODO PARA A COMUNHÃO DOS POVOS: P/ QUE TODOS SEJAM UM!

Mensagem Pontifícia | Quaresma de 2026

  


MENSAGEM DO SANTO PADRE BENTO VIII
PARA A QUARESMA DE 2026

[12 DE FEVEREIRO DE 2026]
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Manete in dilectione mea!
(Jo 15,9)


[PT]

Queridos irmãos e irmãs,

Ao iniciarmos o tempo santo da Quaresma, somos convidados pela Igreja a percorrer um caminho de conversão que não é solitário, mas profundamente comunitário. A Palavra de Deus nos oferece a imagem luminosa da primeira comunidade cristã: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At 4,32). Este versículo não é apenas uma lembrança histórica, mas um horizonte para nossa caminhada atual. Em uma Igreja que se compreende sinodal, chamada a caminhar junta, a Quaresma torna-se um verdadeiro itinerário de comunhão, participação e missão. Não caminhamos isolados, cada qual buscando sua própria perfeição espiritual; caminhamos como povo, sustentados pela mesma fé, alimentados pela mesma Palavra e reunidos em torno da mesma mesa eucarística.

A ascese quaresmal, vivida por meio da oração, do jejum e da caridade, precisa ser compreendida como um exercício que nos educa para a comunhão. A oração nos abre à escuta de Deus e, consequentemente, à escuta dos irmãos. Quem aprende a silenciar diante do Senhor torna-se mais capaz de acolher a voz do outro, especialmente dos que muitas vezes não são ouvidos. O jejum, por sua vez, não é mera prática externa ou disciplina corporal; é um gesto de liberdade interior, um treino do coração para desapegar-se do egoísmo, do orgulho e da autossuficiência. Ao jejuar, reconhecemos que não somos o centro e que precisamos uns dos outros. A caridade, enfim, é a expressão concreta de um coração convertido. Não há verdadeira ascese sem amor efetivo, sem compromisso com os que sofrem, sem partilha sincera dos dons que recebemos.

Em uma Igreja sinodal, a ascese quaresmal ganha ainda um significado mais profundo: ela nos prepara para caminhar juntos. Sinodalidade é mais do que método; é espiritualidade. Exige conversão das atitudes, purificação das intenções e disposição para o discernimento comunitário. Muitas vezes, o maior obstáculo à comunhão não está fora de nós, mas em nosso interior: a resistência em ouvir, a dificuldade em dialogar, a tendência a impor nossas próprias ideias. A Quaresma é tempo favorável para reconhecer essas fragilidades e pedir ao Senhor um coração novo, capaz de amar e servir com humildade.

Ser “um só coração e uma só alma” não significa uniformidade ou ausência de diferenças. Ao contrário, significa harmonia na diversidade, unidade que respeita e valoriza os diversos dons e ministérios. A comunidade cristã é rica justamente porque é plural. No entanto, essa pluralidade precisa ser sustentada pelo vínculo da caridade e pela busca sincera da vontade de Deus. O itinerário quaresmal nos convida a revisar nossas relações comunitárias, a curar feridas, a reconstruir pontes e a fortalecer laços. Não podemos celebrar a Páscoa mantendo divisões, ressentimentos ou indiferença.

Este tempo santo também nos recorda que a conversão pessoal está intimamente ligada à conversão pastoral. Uma Igreja sinodal não se contenta em manter estruturas; ela se deixa transformar pelo Espírito para responder com fidelidade aos desafios do presente. Assim, nossa oração deve incluir a súplica por sabedoria e discernimento; nosso jejum deve abrir espaço para maior disponibilidade ao serviço; nossa caridade deve impulsionar-nos à missão. Caminhar juntos implica corresponsabilidade: cada batizado é chamado a oferecer sua contribuição para a edificação do Corpo de Cristo.

À medida que avançamos rumo à Páscoa, somos convidados a renovar nossa esperança. A Quaresma não é tempo de tristeza estéril, mas de expectativa confiante. Sabemos que o caminho passa pela cruz, mas sabemos também que a cruz conduz à vida nova. Se permitirmos que o Espírito Santo molde nosso coração, se aceitarmos percorrer com sinceridade este itinerário de ascese e comunhão, experimentaremos a alegria de uma fé vivida em fraternidade. 

Que esta Quaresma nos ajude a crescer como Igreja sinodal, fortalecida na unidade, comprometida na missão e testemunha credível do amor de Cristo. Assim, celebrando a vitória pascal, poderemos manifestar ao mundo a beleza de sermos, de fato, um só coração e uma só alma.

A todos concedo de coração a minha Bênção Apostólica.

[ES]

Queridos hermanos y hermanas,

Al comenzar el santo tiempo de la Cuaresma somos invitados por la Iglesia a recorrer un camino de conversión que no es solitario, sino profundamente comunitario. La Palabra de Dios nos ofrece la imagen luminosa de la primera comunidad cristiana: “La multitud de los creyentes tenía un solo corazón y una sola alma” (Hch 4,32). Este versículo no es solo un recuerdo del pasado, sino un horizonte para nuestra vida presente. En una Iglesia que se reconoce sinodal, llamada a caminar junta, la Cuaresma se convierte en un verdadero itinerario de comunión, participación y misión. No avanzamos cada uno por su cuenta buscando una perfección individual, sino como pueblo de Dios, sostenidos por la misma fe, alimentados por la misma Palabra y reunidos en torno a la misma mesa eucarística.

La ascesis cuaresmal, vivida tradicionalmente mediante la oración, el ayuno y la caridad, debe entenderse como un ejercicio que nos educa para la comunión. La oración nos abre a la escucha de Dios y, al mismo tiempo, nos dispone a escuchar a los hermanos. Quien aprende a hacer silencio ante el Señor se vuelve más capaz de acoger la voz del otro, especialmente de aquellos que muchas veces no son escuchados. El ayuno, por su parte, no es simplemente una práctica exterior o una disciplina corporal; es un gesto de libertad interior, un entrenamiento del corazón para desprenderse del egoísmo, del orgullo y de la autosuficiencia. Al ayunar reconocemos que no somos el centro y que necesitamos de Dios y de los demás. La caridad, finalmente, es la expresión concreta de un corazón convertido. No existe verdadera ascesis sin amor efectivo, sin compromiso con los que sufren, sin una sincera disposición a compartir los dones recibidos.

En una Iglesia sinodal, la ascesis cuaresmal adquiere un significado aún más profundo: nos prepara para caminar juntos. La sinodalidad no es solo un método organizativo, sino una espiritualidad. Exige conversión de actitudes, purificación de intenciones y apertura al discernimiento comunitario. Con frecuencia, los mayores obstáculos para la comunión no provienen del exterior, sino de nuestro propio interior: la dificultad para escuchar, la resistencia al diálogo, la tendencia a imponer nuestras ideas. La Cuaresma es un tiempo favorable para reconocer estas fragilidades y pedir al Señor un corazón nuevo, humilde y disponible para el servicio.

Ser “un solo corazón y una sola alma” no significa uniformidad ni ausencia de diferencias. Al contrario, implica armonía en la diversidad, unidad que valora los distintos carismas y ministerios. La comunidad cristiana es rica precisamente porque es plural. Sin embargo, esta pluralidad debe estar sostenida por el vínculo de la caridad y por la búsqueda sincera de la voluntad de Dios. El itinerario cuaresmal nos invita a revisar nuestras relaciones comunitarias, a sanar heridas, a reconstruir puentes y a fortalecer los lazos fraternos. No podemos celebrar la Pascua manteniendo divisiones, resentimientos o indiferencia.

Este tiempo santo nos recuerda también que la conversión personal está unida a la conversión pastoral. Una Iglesia sinodal no se limita a conservar estructuras, sino que se deja renovar por el Espíritu para responder con fidelidad a los desafíos actuales. Por eso, nuestra oración debe incluir la súplica por sabiduría y discernimiento; nuestro ayuno debe abrir espacio para una mayor disponibilidad al servicio; nuestra caridad debe impulsarnos a la misión. Caminar juntos implica corresponsabilidad: cada bautizado está llamado a ofrecer su aporte para la edificación del Cuerpo de Cristo.

A medida que avanzamos hacia la Pascua, renovamos nuestra esperanza. La Cuaresma no es un tiempo de tristeza estéril, sino de espera confiada. Sabemos que el camino pasa por la cruz, pero también sabemos que la cruz conduce a la vida nueva. Si permitimos que el Espíritu Santo transforme nuestro corazón y aceptamos recorrer con sinceridad este itinerario de ascesis y comunión, experimentaremos la alegría de una fe vivida en fraternidad.

Que esta Cuaresma nos ayude a crecer como Iglesia sinodal, fortalecida en la unidad, comprometida en la misión y testigo creíble del amor de Cristo, para que el mundo pueda reconocer en nosotros la belleza de ser verdaderamente un solo corazón y una sola alma.

A todos concedo de corazón mi Bendición Apostólica.

Roma, no Palácio Apostólico, a 12 de fevereiro de 2026.